Uso dos Salmos na jornada cristã

  • “Salmos revela quem é Deus com profundidade, quem é o homem com profundidade e o que Deus quer do homem.”

                O livro dos Salmos é vital na formação espiritual, pois pode ser considerado o livro mais humano, não por ser menos inspirado por Deus, mas por trabalhar os aspectos da humanidade, suas demandas, sensações e sentimentos (dor, sofrimento, alegria e contentamento em Deus, etc.)

                Partindo desta abordagem, vemos que não existe nenhum assunto proibido quando estamos diante de Deus, e contemplando os Salmos somos forçados a parar de fingir que está tudo bem. Diferente do que parece em um primeiro momento, apresentar ao Senhor nossas queixas, protestos e descontentamentos por nossas realidades não refletirem suas promessas, demonstra uma Fé corajosa e declara a soberania de Deus em todas as áreas e momentos da nossa vida.

                Paradoxalmente, reter da conversa com Deus algumas experiências humanas, os aspectos negativos da vida, ou a escuridão de uma oração não respondida, nada mais é do que incredulidade e negar a soberania de Deus. Em 2 Coríntios 12:9, Paulo nos diz que o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza, portanto quando eu não escondo as minhas vulnerabilidades eu evito as minhas quedas.

    “Deus exige por meio da Lei e ensina como responder por meio de Salmos.”

                Em hebraico, o livro de Salmos é chamado “Tehillim” (Louvores), constituído por várias peças escritas em um período de quase mil anos, desde Moisés ( 1400 a.C.) até o cativeiro babilônico ( 586 a.C.). O livro como conhecemos na Bíblia é uma série de coleções, fruto de respostas do homem, inspirado pelo próprio Deus, correspondendo individualmente ou coletivamente aos preceitos estabelecidos na “Torah” (Lei).

                Salmos funciona como um manual de orações e modelo de hinos, revelados e inspirados por Deus sobre questões e doutrinas cruciais. Podemos entender mais sobre este livro nas palavras de João Calvino: 

    “Tenho por costume denominar este livro – e creio não de forma incorreta – de ‘Uma anatomia de todas as partes da alma ’, pois não há sequer uma emoção da qual alguém porventura tenha participado que não esteja aí representada como num espelho.”

                Ao longo da História, através das gerações, estes escritos preciosos serviram de consolo, orientação e conselho para cada demanda do coração e das circunstâncias, pois revelam verdades capitais sobre Deus. Isso ocorre por causa das doutrinas da Revelação, Inspiração e Iluminação.

    Doutrina da Revelação: Deus tomou a iniciativa de revelar sobre si com fins de salvação. Portanto a Bíblia não é uma visão humana sobre Deus.

    Doutrina da Inspiração: Deus além de se revelar age para capacitar o homem, para que consiga transcrever o que Deus fala sobre si, apesar de suas limitações e problemas circunstanciais.

                Doutrina da Iluminação: Talvez esquecida nos dias de hoje, Deus conduz também os leitores pelas escrituras para contemplarem e responderem em seu tempo as verdades reveladas. Desse modo, um mesmo texto pode guiar cada geração nas mais particulares experiências.

                Por fim, destaca-se Cristo como eixo de interpretação nos 150 capítulos. Segundo Bruce Waltke, dois terços das citações no Novo testamento são sobre os Salmos, e isto para mostrar a supremacia de nosso Senhor. Não poderia ser de outra forma, pois no livro de nossas respostas a Deus, encontramos a melhor resposta para nós, o caminho, a verdade e a vida; o princípio e o fim.     


    Escritor por: Danilo Ferreira Agostinho

    Como complemento ouça o Podcast no link:

  • Deixe um comentário

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *