O evangelho é a boa nova. A boa notícia de que Cristo se manifestou aos homens: morreu, ressuscitou e subiu aos céus, e o perdão e a vida eterna agora estão ao alcance de todos que crerem. De maneira mais abrangente, Ladd escreve em seu livro O Evangelho do Reino :
“O evangelho do Reino é a proclamação do que Deus tem feito e fará. É a vitória dele sobre seus inimigos. É a boa nova de que Cristo voltará a fim de destruir para sempre seus inimigos. É um evangelho de esperança. Também é as boas novas sobre o que Deus já fez. Ele já quebrou o poder da morte, derrotou Satanás e destronou o reinado do pecado. O evangelho é uma promessa, mas também é uma experiência, e a promessa baseia-se na experiência. O que Cristo fez garante o que ele fará. Esse é o evangelho que precisamos anunciar a todo o mundo.”
Essa mensagem, que foi transmitida oralmente na primeira geração de cristãos, passou a ser escrita para que as gerações seguintes tivessem registros de quem foi Jesus e do que ele fez e ensinou em seu ministério.
“O que nos faz pensar que escaparemos se negligenciarmos essa grande salvação, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois transmitida a nós por aqueles que o ouviram falar?” Hb 2:3
Os quatro evangelhos que encontramos na bíblia , portanto, registram a mesma história, porém por 4 perspectivas diferentes e complementares, conforme podemos observar no quadro abaixo:
Quadro 1: Resumo comparativo dos 4 evangelhos
| Livros | MARCOS | MATEUS | LUCAS | JOÃO |
| Tema central | Jesus Cristo, o Servo | O Rei e Seu Reino | A jornada do Filho do Homem | Jesus é o Cristo, creia e viva |
| Público | Romanos | Judeus | Helenistas | Mundo grego |
| Textos chave | 10:45 – “Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos.” | 2:2 – “E perguntaram: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.” | 19:10 – “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar os perdidos.” | 20:31 – “Estes, porém, estão registrados para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo nele, tenham vida pelo poder do seu nome.” |
| O autor | Mencionado no livro de Atos, João Marcos não foi um dos apóstolos de Jesus, mas acompanhou Paulo em sua primeira viagem missionária e conviveu com Pedro em Roma. | Mateus foi um dos 12 apóstolos, também conhecido como Levi, o cobrador de impostos. | Lucas, um médico, foi um homem culto. Único gentio a escrever um livro no NT, é considerado também autor do livro de Atos. Acompanhou Paulo em várias viagens missionárias. | “Aquele a quem Jesus amava” é como João se identifica ao longo do livro. Filho de Zebedeu, foi um dos principais discípulos de Jesus. Também escreveu as epístolas 1, 2 e 3 João e o livro de Apocalipse. |
| Características | Estima-se que tenha sido escrito na década de 50 d.C. O que o ditingue dos demais evangelhos é a objetividade. Registra, majoritariamente, as ações de Jesus. São 18 milagres e 4 parábolas relatados por Marcos. | É o maior dos evangelhos em extensão. Provavelmente escrito por volta de 50 d.C. É o livro que mais faz conexões entre Jesus e as professias do Antigo Testamento. Por isso é colocado depois do livro de Malaquias, como primeiro livro do Novo Testamento. | Escrito em aproximadamente 60 d.C., é o livro mais rico em detalhes e informações do contexto político e social. É resultado de uma pesquisa histórica e geográfica do autor. | É distinto dos outros 3 livros. Escrito no fim da vida de João, foi o último Evangelho escrito, entre 80 e 90 d.C. Depois de anos de reflexão, João faz seu relato carregado de profundidade sobre a vida e a missão de Cristo. |
| Abordagem | É composto pelas ações de Jesus: curas, conversões, expulsões de demônios e milagres. | Tem grande ênfase no ensino. Registra grandes sermões de Jesus, diversas parábolas e aborda temas que formam a compreensão das doutrinas do Novo Testamento. | Compreende a narrativa precisa dos acontecimentos, com base em uma pesquisa acurada dos fatos e em relatos de testemunhas oculares. | Apresenta a história de um ponto de vista teológico e filosófico. Sua ênfase não está no relato das ações de Cristo, mas no significado delas. |
O tema central de toda a bíblia é a obra redentora de Deus na história. Além dos 4 livros, a trama do evangelho vem sendo desenrolada desde o Gênesis (Gn 3:15).
Há muito tempo, Deus escolheu um povo e os chamou de Israel. Eram desprezados, insignificantes, indignos. Deus não os escolheu por mérito ou para um fim em si mesmos, mas com o propósito de redimir toda a humanidade (Gn 22:18). Ao longo das gerações, Deus foi reafirmando sua aliança com esse povo, e faz a Davi a promessa de que seu descendente se assentaria sobre o trono e reinaria eternamente (2 Sm 7:12-16).
Então, na “plenitude do tempo”, Jesus Cristo vem à terra, o descendente de Davi segundo a carne (Rm 1:3). O propósito de Deus com Israel alcançou um ponto importante, mas isso não significa que o plano está cumprido por completo. Até aquele momento, a promessa parecia ser direcionada apenas a Israel, mas quando Cristo realiza sua obra redentora, seu propósito é movido de Israel, que o rejeitou (Mt 21 :43), para a Igreja – a comunhão dos gentios e judeus que aceitaram o evangelho. A Igreja é a geração eleita, sacerdócio real, nação santa (1Pe 2.9). Agora, à medida que a Igreja proclama as boas novas do Reino de Deus, o propósito redentor do Senhor na história continua sendo operado.
Ao longo da história, homens e mulheres testemunharam e contaram às gerações seguintes os feitos do Senhor. Entre a ascensão de Jesus e a sua volta, nós, sua Igreja, por meio do Espírito Santo, temos o papel fundamental de anunciar as boas novas a todos (Mc 16:15). Nós carregamos a boa notícia que as nações precisam receber.
“As boas novas a respeito do reino serão anunciadas em todo o mundo, até que todas as nações as ouçam; então, virá o fim.” Mt 24 :14
Escrito por: Taisa Attuy Prieto
Referências :
Ladd, George Eldon. O Evangelho do Reino. São Paulo: Shedd Publicações, 2008. 149 p.
MacArthur, John. Comentário Bíblico MacArthur. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2019. 2048 p.
Panorama do Novo Testamento. Curitiba: Família dos que Creem, 2020. 172 p.