Propósito e panorama contextual
I Introdução
Deus criou o céu e a terra, criou todas as coisas pela sua palavra. Deus criou “ex nihilo”, do nada, para sua glória. Toda a criação veio à existência não apenas para ser funcional, mas para ser bela, para que o homem apreciasse o mundo e fosse parte deste espetáculo para Deus. Porém, com o conhecimento do mal e escravizado pelo pecado, a humanidade caminhava por si, vazia e decadente.
De Adão até Abraão, passaram-se por volta de 2000 anos. Neste intervalo, a terra se corrompeu e se encheu de tanta violência, que Deus trouxe juízo ao mundo por meio do dilúvio, recomeçando em Noé e seus três filhos. Infelizmente, não muito tempo depois, a história não se desenrolava de maneira muito diferente. À medida que cidades eram fundadas, fundavam-se também religiões politeístas, com os mais diversos objetos de culto, além do sentimento de orgulho no homem, que o instigava a se sentir um deus.
Neste contexto, Deus chama Abrão: ‘Sai da tua parentela, farei de ti uma grande nação, te abençoarei e em ti serão benditas todas as famílias da terra’. O propósito de se constituir uma grande nação aparece em Êxodo 19:5-6, ‘Se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa’. Então, todas as famílias da terra seriam benditas, pois desta linhagem viria o Messias, aquele prometido para redenção e remissão dos pecados.
II Contexto religioso
Após o dilúvio, Noé foi abençoado e ordenado a ser fecundo, multiplicar-se, e encher a terra. Mas, um de seus bisnetos, Ninrode, na contramão da ordem de Deus a Noé, planejou construir uma torre para que o povo não se dispersasse, e seus nomes jamais fossem esquecidos.
É provável que Ninrode não seja seu nome de nascimento, uma vez que “ninride” significa rebelde, e segundo o talmude babilônico, ele recebeu esse nome por ter incitado todos contra a soberania de Deus. Segundo a tradição, Ninrode e sua mãe, Semíramis, que se autoproclamou rainha dos céus, foram responsáveis pela fundação da religião babilônica, que proliferou-se por Canaã e todo o oriente.
Ao mesmo tempo, a região do Egito estava inundada por várias cosmogonias ( teorias do surgimento das coisas). A ideia principal destas cosmogonias era mostrar o mundo como um lugar onde os deuses estão e que a criação é deus também. Diversos mitos e lendas compunham a religião politeísta egípcia.
Na época de formação do povo judeu, o contato com as demais religiões, com as lendas e histórias exerceu muita pressão sobre os descendentes de Abrãao, principalmente as do Egito e da Babilônia. Por isso, através de Moisés, Deus revela o Pentateuco para guiar o povo em questões cruciais.
III Propósito
Pentateuco é uma expressão grega que significa cinco rolos, e se refere aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, que são também os cinco primeiros livros da Torá. Seu conteúdo tem caráter apologético, tratando das origens da humanidade, confrontando falsas teorias. Os livros tratam da identidade do povo em Deus, os requisitos para o culto aceitável a Deus, o problema da ruína da humanidade e o plano divino para a redenção da humanidade e da criação.
Gênesis: O título original é ‘bereshit’, e significa ‘No princípio’. Seu propósito principal é apologético, defender que há somente um Deus, e que Ele está por detrás de todas as coisas. Apresenta a origem da criação, e se estrutura em ‘toledot’(gerações, linhagem). Trabalha com as histórias dos primeiros tempos e a história patriarcal, com desenvolvimento inicial da aliança entre Deus e Abraão. Em resumo, o primeiro livro da Lei trata sobre a formação da nação, e o seu chamado.
Na figura de Jesus Cristo, podemos observar em Mateus 3:17, que após o seu batismo onde Ele ouviu do Pai: “Tu és meu filho amado em quem me comprazo”, nos versos seguintes, em Mateus 4, Jesus começa a ser tentado no deserto, na sua identidade: “Se és filho de Deus, faça…” Por isso, a importância de Gênesis revelar ao povo a identidade da nação em Deus e o valor da aliança com eles estabelecida, para que eles não se perdessem ao longo da jornada.
Êxodo: Esse livro trata da salvação da nação. Após a morte de José, e a sucessão do Faraó de seu tempo, os israelitas foram escravos por 430 anos. Deus não apenas livrou o povo, mas no processo demonstrou ser superior aos deuses do Egito. Em seguida, guiou os seus, passo a passo, rumo a Cannã, acompanhando-os diariamente, suprindo todas as necessidades.
Levítico: o título utilizado remete a “levitikon”, um adjetivo grego que se refere a aquilo que diz respeito aos levitas, porém, este livro não é dirigido apenas a eles. Seu título original é “wayiqra”e significa “e Ele chamou”.
A maior parte do seu conteúdo é literatura legal. Institui provisões para o culto e trabalha com as figuras sacerdote/altar/sacrifício. Seu tema central é SANTIDADE, para uma vida de comunhão com o Senhor em adoração.
É um dos livros menos estudados do Antigo Testamento, e talvez o mais desafiador, uma vez que os rituais abordados ficaram obsoletos nos nossos dias. Porém, o que prevalece é o apontamento para Cristo e o valor do seu sangue.
“Como mandamentos cerimoniais, estas leis não valem mais. [Mas], os princípios por trás delas são tão válidos hoje como foram durante a antiga dispensação”
J. C. Ryle
Conforme as palavras de J. C. Ryle, ainda prevalece o altar instituído com sacerdote e sacrifício. O altar agora é a cruz, e Jesus é o sacerdote e o sacrifício perfeito.
Números: O título original, “BeMidBar”, “significa no deserto”, e detalha a preparação do povo para viver na presença do Senhor. O título do grego, Números, refere-se aos censos do livro. Sua estrutura trabalha com cronologia e geografia.
O propósito do livro foi de trabalhar a educação do povo, pois relata do segundo ano no deserto até o quadragésimo e último ano da peregrinação, e enfatiza o caminhar do Cristão. Aponta para a importância da perseverança, já que milhões saíram do Egito, mas apenas 2 entraram na terra prometida.
Deuteronômio: Seu título original é: “Estas são as palavras”. Este livro foi escrito para a segunda geração do êxodo. Seu conteúdo é uma repetição da Lei, e possui enfoque na aliança, nas bênçãos e maldições, com enfoque na obediência por amor e amar a Deus de mente, alma e coração.
PORTANTO:
Gênesis: A formação da nação.
Êxodo: A salvação da nação.
Levítico: A santificação da nação.
Números: A educação da nação.
Por fim, vale ressaltar que a Lei mosaica nos foi dada para ser nosso tutor até Cristo (Gálatas 3:24), pois como nenhum homem seria capaz de cumpri-la, ela nos aponta o caminho perfeito cumprido pelo Senhor Jesus. Também, Hebreus 10 trata a Lei como sombra do que haveria de ser cumprido em Jesus. Sacrifícios perpétuos ano após ano cessaram no sacrifício único e suficiente do cordeiro entregue antes da fundação do mundo.
Escrito por: Danilo Ferreira Agostinho