Amigos de inimigos: Israel e os povos ao seu redor

  • Há um grande contraste na história do povo de Israel dos últimos capítulos de Josué para os acontecimentos relatados em Juízes. Uma nação descansando da guerra e desfrutando das riquezas que Deus havia lhe dado passa a sofrer invasões, pobreza e guerra civil. O que aconteceu?

    Após muitas conquistas sob a liderança de Josué, o povo de Israel viveu um período marcado pela sua persistente desobediência e rebeldia contra Deus. Este período de aproximadamente 330 anos, que se estende desde a morte de Josué até o estabelecimento de Saul como o primeiro rei de Israel, é majoritariamente registrado no livro de Juízes.

    Deus não queria que Israel se contaminasse com outros costumes e com a idolatria dos povos ao redor. Israel era a nação santa, povo especial escolhido para um propósito divino. Por meio de Israel, o Senhor daria ao mundo o conhecimento do Deus verdadeiro, as Sagradas Escrituras e o Salvador. Por isso, deveria permanecer em separação.

    O declínio de Israel

     “A justiça exalta os povos, mas o pecado é a vergonha das nações.”  Pv 14:34

    Na lei dada pelo Senhor havia uma instrução clara em relação à maneira de lidar com as nações conquistadas:

    “Destruam todas as nações que o Senhor, seu Deus, lhes entregar. Não tenham pena delas nem adorem seus deuses, pois isso seria uma armadilha para vocês.” Dt 7.16 

    Além da promessa de que o Senhor os daria vitória:

    “Mas o próprio Senhor, seu Deus, atravessará adiante de vocês. Ele destruirá as nações que vivem ali, e vocês tomarão posse da terra.” Dt 31.3

    Naquele período, Israel não observou as leis e tampouco as promessas de Deus, o que resultou em uma sucessão de ofensas ao Senhor:

    Esqueceram-se do que Deus havia feito por eles:

    “Depois que aquela geração morreu e se reuniu a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor nem tinha visto as grandes coisas que ele havia feito por Israel.” Jz 2:10 

    Abandonaram o que o Senhor havia dito

    “Abandonaram o Senhor, o Deus de seus antepassados, que os havia tirado do Egito” Jz 2:12a 

    Vemos um comportamento semelhante hoje em dia, quando muitos se afastam da Palavra e passam a seguir seus próprios caminhos:

     “Pois virá o tempo em que as pessoas já não escutarão o ensino verdadeiro. Seguirão os próprios desejos e buscarão mestres que lhes digam apenas aquilo que agrada seus ouvidos. Rejeitarão a verdade e correrão atrás de mitos.” 2Tm 4:3-4

    – Pouparam o inimigo:

    “De sua parte, vocês não deviam fazer aliança alguma com os habitantes desta terra, mas sim, destruir seus altares. Por que vocês desobedeceram à minha ordem?” Jz 2:2 

    – Imitaram o inimigo:

    “Os israelitas fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e serviram às imagens de Baal.” Jz 2:11 

    O que era pecado passou a ser comum até se tornar um hábito. Acostumaram-se a ponto de práticas perversas não lhes parecerem pecado.


    – Obedeceram ao inimigo:

    Seguiram e adoraram os deuses dos povos ao redor e, com isso, provocaram a ira do Senhor. Abandonaram o Senhor para servir a Baal e às imagens de Astarote.” 2:12b-13

    Ao se tornarem amigos de seus inimigos, criaram inimizade com o Senhor.

    Como Tiago nos alerta, a amizade com o mundo é inimizade com Deus:

    Infiéis! Não percebem que a amizade com o mundo os torna inimigos de Deus? Repito: se desejam ser amigos do mundo, tornam-se inimigos de Deus.” Tg 4:4

    Da mesma forma, Jesus Cristo nos lembra que são seus amigos aqueles que o obedecem:

    “Vocês serão meus amigos se fizerem o que eu ordeno.” Jo 15:14

    A misericórdia do Senhor

    O livro de Juízes é o registro dos fracassos de Israel. É um livro difícil de digerir, pois nos coloca de frente com a nossa (antiga e atual) obstinação em desobedecer a Deus e nos misturarmos com a cultura do mundo ao nosso redor. Mas graças a Deus porque, apesar da rebeldia do seu povo, ele permanece fiel à sua aliança. Deus, por sua fidelidade, livrava seu povo levantando juízes para derrotarem os inimigos e libertarem Israel. Na mesma medida que expõe as maldades de Israel, o livro ressalta a bondade e o amor do Senhor em, vez após vez, prover libertadores. Até nos prover um defensor e libertador definitivo:

    “Portanto, se o Filho os libertar, verdadeiramente vocês serão livres.” João 8:36

    No Salmo 106:40-46, o salmista relembra a misericórdia do Senhor para com seu povo naquele período e termina nos versículos 47 e 48 com uma oração que também devemos fazer nos nossos dias:

    “Salva-nos, Senhor, nosso Deus!
    Reúne-nos dentre as nações,
    para darmos graças ao teu Santo Nome,
    para nos alegrarmos no teu louvor!
    Louvem o Senhor, o Deus de Israel,
    que vive de eternidade a eternidade.”


     Escrito por: Taisa Attuy Prieto

    Referências:
    1. Stott, John. A Bíblia Toda, O Ano Todo. Editora Ultimato, 2007.
    2. Wiersbe, Warren W. Wiersbe – Antigo Testamento – Volume I. São Paulo: Geográfica, 2009.
    3. Panorama do Antigo Testamento. Curitiba: Família dos que Creem, 2020.

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