Um questionamento comum entre os cristãos em sua caminhada com Deus é, “eu blasfemei contra o Espírito Santo?”. “Meu Deus, será que isso que eu falei foi uma blasfêmia contra o teu Espírito?”. O coração é tomado por um medo absurdo de ter cometido tal pecado que nunca será perdoado, esta pergunta é estendida aos líderes e amigos em Cristo, há quem recorra aos recursos teológicos para então, a calmaria falar mais alto ao coração. Chega-se a conclusão de que a blasfêmia imperdoável não foi cometida, entretanto, nem sempre há um esclarecimento do que verdadeiramente é essa tão temida blasfêmia contra o Espírito.
Em Marcos no capítulo três, a partir do verso vinte e dois, lê-se os fatos que levaram Jesus a discorrer sobre a blasfêmia. Os mestres da lei presentes no dia afirmaram que Cristo fora contemplado pelo poder de belzebu, um deus pagão da época que diziam ser satanás, para operar seus milagres, inclusive expulsar demônios. O próprio Jesus argumenta que satanás não seria ignorante ao ponto de causar tamanha confusão divisória dentro de sua “organização”, pois esse tipo de prática causa destruição em qualquer estrutura. Cristo prossegue até o verso vinte e oito onde específica a respeito da blasfêmia.
“Na verdade, vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem; qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo”. Marcos 3:28,29. Diante da leitura dos versos pode haver uma inclinação a querer separar a trindade objetivando encontrar uma resposta, logo, pode-se pensar que se blasfemar contra Deus e Jesus não há problema, a questão é o Espírito. Todavia, o raciocínio correto não é esse. É necessário analisar o comportamento dos mestres da lei, mais do que isso, o coração.
Jesus, como cem por cento Deus, sabia o que se passava no coração daqueles homens, não havia apenas uma pura incredulidade ou inveja. Neles, havia uma consciência de quem Cristo era, a quem ele servia e em nome de quem que operava tais maravilhas. Os mestres da lei, por rebeldia, voluntariamente, atribuem um operar de Deus à satanás. Como poderiam se voltar contra o próprio SENHOR dessa forma? Que tamanha revolta e loucura é dizer, conscientemente, que algo que o Criador de todas as coisas realizou, na verdade não foi ele, mas o destruidor de almas, satanás.
Diante da tamanha insolência do coração do homem, Deus institui que esse pecado contra o seu Espírito não teria perdão. Alguém que escolhe agir desta forma não tem o Espírito em si, não terá uma clareza e dimensão real do que realizou, pois, sua alma está em trevas, há uma raiva tão imensa contra Deus que ele não é capaz de ver a luz. Por este motivo, um cristão redimido não precisa temer se blasfemou contra o Espírito, pelo fato de ser o próprio Espírito Santo que opera o arrependimento em sua vida. Quem blasfema contra o Espírito não estará preocupado se o fez ou não, pois já está condenado por seu próprio duro coração.
Escrito por: Maria Eduarda Silva
Referências: Comentário Bíblico de João Calvino
Arte: Autor desconhecido.