1. A Carta aos Romanos
O principal tema abordado por Paulo em Romanos é a justiça que vem de Deus e a verdade gloriosa de que Deus justifica os pecadores culpados e condenados somente pela graça através da fé somente em Cristo.
Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”. (Rm 1:17)
Nos capítulos 1 ao 11 são apresentadas as verdades teológicas dessa doutrina, enquanto do 12 ao 16 são especificadas suas aplicações práticas na vida dos cristãos e da igreja. Conforme a divisão em grandes temas de Wiersbe, podemos resumi-lo:

2. A Doxologia de Romanos 11
Quando chega ao fim do capítulo 11, Paulo conclui sua exposição doutrinária com uma das doxologias mais lindas de toda a bíblia. Doxologia, pelo Dicionário de Oxford, significa: fórmula litúrgica (hinos, preces, versículos etc.) em que se glorifica a grandeza e majestade de Deus.
Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos!
Pois quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?
Ou quem primeiro deu alguma coisa a Deus para que isso lhe seja restituído?
Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém! (Rm 11:33-36)
Esta doxologia é um final majestoso para arrematar a primeira seção desta carta que trata de temas que, relacionados entre si, apresentam o plano completo de Deus para a salvação da humanidade.
3. O Conhecimento e a Adoração
Alguns autores, ao se referirem aos versículos 33-36 usam a expressão ‘Paulo irrompeu em louvor”. Essa expressão “irrompeu” demonstra bem o que parece ter acontecido ali. É como se as verdades que ele vinha proclamando ao longo da carta sobre a sabedoria, o conhecimento, juízos e caminhos do Senhor fossem enchendo-o até que ele não pudesse se conter em tamanho fascínio e então explodisse em louvor.
Ao observar essa doxologia, Timothy Keller elenca alguns aprendizados que podemos ter com Paulo sobre adoração:
Não deve haver adoração sem verdade
Em meio aos seus versos de louvor, Paulo cita as Escrituras. No versículo 34 ele cita Isaías 40:13, enquanto no versículo 35 cita Jó 41:11. Conhecer a Deus através da bíblia, de forma íntima e profunda, impacta fortemente na forma como adoramos. Quando o louvor não é centrado na Palavra, corremos o risco de fundamentá-lo em emoções, desejos pessoais, técnicas e qualquer outra motivação que não seja o próprio Senhor.
Não deve haver ensino sem adoração
Paulo sempre direciona seus ensinos e estudos doutrinários para o louvor a Deus. Ele nunca trata a verdade como algo a ser apenas assimilado no nível intelectual como conhecimento teórico, nem mesmo como algo a ser simplesmente aprendido e colocado em prática na vida pessoal. O conhecimento da Verdade nos inclina, invariavelmente, em louvor e adoração a Deus. Por isso, ao apresentar a doutrina da salvação, Paulo é relembrado e tomado pela consciência da sua fraqueza, impotência e completa dependência de Deus, ao passo em que é constrangido pela obra salvífica de Cristo. Isso transborda em louvor e adoração ao Senhor.
Doutrinas que exaltam a Deus levam a maior alegria
Paulo encontrou a sua alegria. Não há realização pessoal nem humana que nos provoque impulsos tão fortes e genuínos para o louvor quanto o próprio amor do Pai. Não há outra fonte, senão o próprio Deus. Assim como o Senhor demonstra sua alegria e satisfação em Cristo, é nele também que apoiamos nossa alegria, pois ele é a expressão exata do Senhor.
Eis o meu Servo a quem sustenho, o meu eleito, em quem tenho toda a alegria. Tenho nele o meu Espírito e ele fará justiça às nações! (Is 42:1)
Eis o meu Servo, que escolhi, o meu amado, em quem tenho alegria. Farei repousar sobre Ele o meu Espírito, e Ele anunciará justiça às nações. (Mt 12:18)
Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela emanou uma voz dizendo: “Este é o meu Filho amado em quem me regozijo: a Ele atendei!” (Mt 17:5)
Não precisamos entender tudo para louvar ao Deus que entende tudo
Assim como já vimos no item 1, Paulo não se apoiava em sua ignorância para louvar a Deus, porém, Paulo também não precisava entender tudo para conseguir adorá-lo. Martin Lloyd Jones, em seu sermão “The Great Doxology” observa que apesar de Paulo expressar “Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos”, esta não é uma doxologia irracional, mas sim muito consciente. Nós o louvamos por tudo o que ele tem nos revelado. E o louvamos também por haver aquilo que ele ainda não nos revelou. Ele é soberano! Não conhecemos tudo, mas o que conhecemos é suficiente para nos maravilharmos e rendermos glórias a ele. A ele seja a glória para sempre. Amém!
Escrito por: Taisa Attuy Prieto
Indicações:
– Romanos 11 – Marco Telles
– A Ele a Glória – Diante do Trono
Referências:
Keller, Timothy. Romanos 8-16 para você. São Paulo: Vida Nova, 2017.
MacArthur, John. Comentário Bíblico MacArthur. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2019.
Wiersbe, Warren W. Novo Testamento I – Volume 5. São Paulo: Geográfica, 2009.
https://www.mljtrust.org/sermons-online/romans-11-33-36/the-great-doxology/
http://davarelohim.com.br/web/a-doxologia-final-de-romanos-16-25-27/