O salmo 86 retrata uma oração bastante íntima de Davi. Enquanto se encontra em uma situação de extrema aflição, Davi suplica pela ajuda de Deus. Mesmo cercado de perigo e necessidade, ele deixa de olhar para a circunstância e volta os seus olhos ao Senhor, para contemplá-lo:
“Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade.”(Salmos 86:15)
Neste trecho do salmo, Davi traz à sua memória e declara palavras que o próprio Senhor disse, quando mostrou sua glória a Moisés. Esse episódio é retratado em Êxodo 33 e 34.
Enquanto conduzia o povo pelo deserto, Moisés pede ao Senhor que mostre a ele a sua glória. Deus, então, o responde dizendo que faria toda a sua bondade passar diante de Moisés e que lhe anunciaria o nome do Senhor.
Então o Senhor orienta Moisés a subir no Monte Sinai pela manhã e se apresentar diante dele, pois ele colocaria Moisés na fenda de uma rocha e o cobriria com sua própria mão, até que ele próprio passasse. E então, ao retirar sua mão, Moisés o contemplaria pelas costas.
A história conta que o Senhor passou diante de Moisés, no alto do monte, e proclamou seu nome. O próprio Deus proclamou seu nome, e aqui ele diz:
“O Senhor! O Senhor Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade.” (Êxodo 34:6)
Essas são palavras do próprio Deus a seu respeito. Aquele que se fez conhecido a Moisés como o “Eu Sou o que Sou” (Êxodo 3:14), em sua auto existência e autossuficiência, agora também se faz conhecido como Deus compassivo e bondoso.
Voltando ao Salmo 86, Davi se lembra da glória que o Senhor revelou a Moisés no Monte Sinai, e a contempla, ao declarar verdades sobre o caráter de Deus. Seus atributos são verdadeiros e imutáveis.
É impressionante pensar que o Deus todo-poderoso é, por natureza, compassivo e bondoso. E que, ao revelar sua glória, são esses aspectos do seu caráter que ele escolheu expressar. Ele próprio declarou sobre si: “Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade”.
Em João 1:14 está escrito:
“A Palavra se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade”. (João 1:14)
E o próprio Jesus disse:
“Aquele que vê a mim, vê o Pai” (João 14:9,10).
Paulo diz que conhecemos a glória de Deus na face de Jesus (2 Coríntios 4:6) e que Cristo é a imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15).
Ao longo de toda a Escritura, Jesus usa apenas duas palavras para descrever seu coração: “manso e humilde” (Mateus 11:29). Deus Pai usa duas palavras para se descrever: “compassivo e bondoso”.
É assim que o nosso Deus desejou se revelar. Essa é a sua natureza, esse é o seu coração.
Como escreveu Dane Ortlund:
“Quando o próprio Deus define o que é sua glória, ele nos surpreende maravilhosamente. Os nossos instintos mais profundos esperam que ele troveje, rodando o martelo, executando seus juízos. Esperamos que a inclinação do seu coração seja retribuir nossos desvios. Então, Êxodo 34 segura o nosso braço e nos faz parar. A inclinação do coração de Deus é a misericórdia. A sua glória é a sua bondade. A sua glória é a sua humildade.”
Paulo diz que conhecer esses atributos do Senhor (compaixão e bondade) nos leva ao arrependimento (Romanos 4:2).
Voltamos então a Moisés que, ao contemplar a glória de Deus, se prostra com o rosto no chão e o adora, clamando para que sua presença permanecesse entre o povo, para que eles fossem perdoados e para que fossem feitos herança do Senhor (Êxodo 34:8,9). E Davi que, ao se deparar com angústia e ameaças se prostra ao Senhor, se lembrando que “bondade e misericórdia o seguirão todos os dias da sua vida” (Salmo 23:6).
Escrito Por: Taisa Prieto