Um caminho de generosidade

  • A generosidade é uma das dádivas que vivenciamos enquanto cristãos, digo cristãos pelo incentivo que damos uns aos outros em cultivar práticas generosas. Desde gestos singelos como presentear alguém com um bombom ou algo maior que nos custe e desafie mais. O maior exemplo de generosidade que poderíamos ter se manifesta ao olharmos para cruz. O Pai entregou seu filho à morte de cruz como remissão dos nossos pecados, o filho a si mesmo se entregou como ovelha muda ao matadouro para nos justificar. Aprendemos a respeito de tudo ao olharmos para Cristo.

    Em 2ª Coríntios 9:6 Apóstolo Paulo deixa claro que dar, no reino de Deus, significa semear, a bondade do eterno ultrapassa nossos impulsos naturais caídos. Se espontaneamente deixamos de dar algo a alguém por medo de diminuir o que temos, Deus diz que se dermos colheremos na mesma medida, não se apegue a termos numerais, Ele estabelece colheita aos doadores. Trata-se de uma fonte que não seca, mas se renova à medida que a generosidade é exercida. Neste sentido, se porventura sobrevier um receio no coração do cristão em semear, doar, abrir mão, além do prazer em puramente obedecer a Deus, ele pode confrontar esse medo com o princípio estabelecido pelo próprio Senhor. Não importando se essa colheita virá recompensada de forma espiritual ou material, o preceito está firmado.

    A partir do momento que há um entendimento mais profundo do que seria a generosidade diante de Deus, deixando este registrado em Provérbios 19:17 que quem doa aos pobres, na verdade, empresta para Ele. Diante da compreensão de que o Espírito Santo se movimenta nesses gestos generosos, que Ele trabalha, provê, surpreende, manifesta seu amor, etc., não há como contribuir com um coração pesado ou por pura obrigação (2ª Coríntios 9:7). É suposto que o cristão contribua não por imposição externa, mas por quebrantamento interno. Isto reflete uma outra verdade, Deus não se apega com a quantidade que cada filho pode dar, Ele é atraído pela disponibilidade de cada um em semear.

    No contexto de comunidade, é essa união generosa que proporciona a excelência na distribuição do que foi semeado, direcionando e suprindo o que necessário seja, por isso, honramos esse compromisso diante de Deus e dos irmãos de acordo com o que podemos dar, acerca disso trata o Apóstolo Paulo na passagem. Deus ama quem se alegra nesse processo de semeadura espontânea e sacrificial. Como é bom sermos parte de uma família na fé e podermos nos unir em generosidade para construí-la. Somente a presença do Pai em nosso meio já seria recompensa para além do que merecemos. Em seu comentário sobre a passagem Joao Calvino escreve:

    “A doação generosa é um sacrifício, e somente um sacrifício voluntário pode agradar a Deus. Pois, quando diz que Deus ama ao doador contente, ele deduz o contrário, ou seja: Deus rejeita o constrangimento e a coerção. Sua vontade não é dominar-nos como tirano; Ele se nos revela como Pai, portanto requer de nós a espontânea obediência de filhos”.

    No verso 8 de 2ª Coríntios 9 o Ap. Paulo remete a igreja para o poderio de Deus, Ele é poderoso para operar em nós por sua graça, é poderoso inclusive para nos livrar da avareza que permeia o coração humano. Poderoso para nos sensibilizar perante um necessitado óbvio ou não tão óbvio assim. Nessa jornada, Ele é fiel para suprir e acrescentar o que precisamos. Fiel para nos surpreender com a mesma generosidade que um dia semeamos em seu altar, que em um determinado momento da vida retorna para nós também em forma de semente sacrificial de outro irmão. Como não se apaixonar pela vida cristã?!


    Escrito por: Maria Eduarda Silva

    Referências: Comentário Bíblico de João Calvino; Comentário Bíblico Beacon

    Arte: Autor desconhecido

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